
O Home Office salvou muitos empregos e negócios na impossibilidade das pessoas se deslocarem fisicamente até a empresa e, é natural que durante o isolamento social, esta modalidade laboral tenha crescido, ainda que de forma improvisada e sem a adequação necessária, em vários aspectos.
Em situação de crise e necessidade da sobrevivência, “vamos com o que temos”, mas a migração de “mudar a chave” do escritório para a casa requer muitos cuidados, pois a vida dos humanos mudará radicalmente e nem sempre para melhor.Não basta decidir que a partir de amanhã vou trabalhar em casa”.
Segundo o Professor Lúcio Lage,Doutorando em Saúde Mental pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ) e pesquisador do Laboratório Delete - DetoxDigital e Uso consciente de Tecnologias, pertencente ao (IPUB/UFRJ)e que acaba de lançar seu sexto livro “ A vida após o novo coronavírus: novo comportamentos” à venda em (www.barralivros.com ), é imprescindível reconhecer que muitas empresas aderiram ao home office de forma emergencial durante a pandemia. Há que considerar, no entanto, que uma coisa é Home Office imposto pelo isolamento social e outra é saber que pode circular, mas está fixado em casa.
Outro aspecto importante é saber que esta modalidade de trabalho não serve para todas as atividades, nem para todas as empresas e nem para todas as pessoas, especialmente para estas onde os vetores do comportamento humano serão alterados substancialmente. Pode haver um ponto de saturação em alguns casos pela rotina do trabalho em casa o que pode sugerir em muitos casos o Home office híbrido, modelo que defendemos pela alternância que oferece aos envolvidos.
A seguir o Professor Lúcio Lage, responde algumas perguntas sobre home office.
1-O crescimento do Home Office é anterior a Pandemia?
R.: Home Office, claro, não veio com a pandemia, pois esta modalidade de trabalho já era usada faz tempo. Com o isolamento social ela tornou-se um imperativo e a grande saída para a manutenção das atividades laborais.
2-Como se comportar nas reuniões virtuais?
R.; Embora as pessoas estejam em casa, não significa que não estejam trabalhando. A descontração natural do lar não pode passar para o encontro com a tela. É precisodisciplina e se comportar como se estivesse na empresa ou em seu cliente e cuidar para que interferências externas não atrapalhem a comunicação.
3-É importante ter horários para entrar e sair do Home Office? Muitas pessoas vão para o Home de pijama, isso é correto?
R.: É muito importante ter disciplina para o trabalho em casa. Cumprir os horários, por uma questão de saúde e limites, é um dos pontos mais importantes e difíceis de gerenciar. É preciso habituar o cérebro sobre o que está acontecendo aqui fora e manter hábitos como se estivesse indo presencialmente ao trabalho. De certa forma faz-se necessário desvincular-se do fato de estar em casa e para isto é preciso um ambiente adequado para este trabalho.
4-Acredita que as pessoas estão se adaptando ao Home Office?
R.: Em recente pesquisa que realizamos pelo Laboratório Delete (acima mencionado) sobre o comportamento em Home Office, observamos que houve uma adaptação satisfatória segundo os voluntários que responderam a pesquisa, cujos dados estão sendo tratados estatisticamente para conclusões mais assertivas.
No entanto é preciso lembrar que adaptação pode ser uma condição temporária que pode chegar ao seu limite ao longo do tempo e tornar-se impossível de manter. Você pode estar adaptado mas não necessariamente feliz.
5- O Home Office, em muitos casos, torna-se mais exaustivo para as mulheres, pois elas cuidam da casa, filhos, além das responsabilidades do trabalho. Como as empresas devem se posicionar nesse aspecto?
R. Na cultura brasileira, mesmo que os pais dividam as tarefas de casa com as mães há uma prevalência das mulheres que são mães, de se envolverem mais com os filhos, embora isto não signifique unanimidade. No caso das mães divorciadas que em geral tem a guarda dos filhos,o isolamento social provocou a dispensa de empregadas domésticas e babás provocando uma ocupação de tempo maior para elas.

Mini CV - Lúcio Lage Gonçalves
Engenheiro, pós-graduação em Administração Pública (EBAP/FGV), em Tecnologia Educacional (U.Católica de Petrópolis), em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial (PUC - Paraná) , Mestrado em Administração (UNIEURO), Doutorando em Saúde Mental (IPUB/UFRJ), linha de pesquisa Dependência Digital. Pesquisador do Laboratório Delete - Uso Consciente de Tecnologi@s (IPUB/UFRJ) . Professor de cursos de MBA de 2000 a 2010. Orientador acadêmico. Escritor dos livros "Gestão de Mudanças na teoria e na prática" (2014), "Mudanças Organizacionais no Brasil" (2015), "Dependência Digital" (2017) e "Convivendo bem com a Dependência Digital" (2018). Co-organizador e co-autor do livro “Novos Humanos 2030: Como será a humanidade em 2030 convivendo com as tecnologias digitais?”(2019). Mais recente lançamento: A vida após o novo coronavírus: Novos Comportamentos (30/junho/2020).
Contato: DMC21 COMUNICAÇÃO E MARKETING
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