[Saúde Mental]A psicóloga Eliana Sorrini participa do debate 'Para além da NR-1 - o desafio da saúde mental no trabalho, no próximo dia 5 de maio, no Fluzão Barra
O Brasil adoeceu. E o trabalho tem tudo a ver com isso. Da imagem de país da alegria ao recorde mundial em afastamentos por saúde mental. A NR-1 trouxe uma obrigação. Esses números aparecem no absenteísmo, no presenteísmo, na rotatividade e no resultado financeiro da empresa. A NR-1 atualizada exige que os riscos psicossociais sejam mapeados. A pergunta é: você sabe por onde começar?
O Brasil é mundialmente conhecido como o país do Carnaval, do "jeitinho" resiliente e da hospitalidade calorosa. Mas, nos bastidores das organizações, o cenário é drasticamente diferente. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e estudos do Instituto de Psiquiatria da USP (IPQ-USP) revelam uma realidade desconfortável: somos o país mais ansioso do mundo e o mais depressivo da América Latina. O que aconteceu com o Brasil? Como o "país da alegria" se transformou no "país dos afastamentos"?
“Não se trata apenas de cumprir uma exigência regulatória, mas de estruturar um modelo de gestão que seja capaz de identificar, priorizar e atuar riscos de forma contínua e integrada ao negócio, o que demanda maior dedicação à área de governança, dados e processos internos”, comenta, destacando que a NR-1 eleva o nível de exigência sobre a alta liderança, uma vez que a responsabilização passa a envolver decisões estratégicas e a efetividade dos controles implementados.
Para entender o colapso atual, precisamos olhar para a nossa raiz. O historiador Sérgio Buarque de Holanda definiu o brasileiro como o "homem cordial". Ao contrário do que muitos pensam, a cordialidade não é apenas gentileza; vem de cor (coração). Somos movidos pelo afeto e pela emoção. Nas empresas, isso cria uma cultura onde a fronteira entre o pessoal e o profissional é tênue.
Historicamente, usamos a alegria como ferramenta de sobrevivência. No entanto, na última década, essa alegria foi sequestrada por uma "tirania da positividade". O trabalhador brasileiro hoje sente que não tem permissão para estar mal. Ele performa uma felicidade de filtro de Instagram enquanto lida com metas agressivas e hiperconectividade. O resultado? Uma dissociação cognitiva que drena a energia vital antes mesmo da jornada terminar.
Saúde Mental não é Custo, é Sustentabilidade
Como consultora estratégica, meu diálogo com gestores é direto: saúde mental não se resolve com "ginástica laboral" ou "frutas na copa". Essas são medidas paliativas para problemas estruturais. A verdadeira gestão de saúde mental passa pela identificação de fatores de risco como a gestão por estresse, o assédio moral e a falta de autonomia.
Um afastamento mental custa, em média, três vezes o salário do colaborador para a empresa. É um prejuízo invisível que sangra o lucro e destrói o clima organizacional. Empresas saudáveis são, invariavelmente, empresas mais lucrativas e perenes.
Psicóloga social e do trabalho há mais de 10 anos, com MBA em Gestão de Negócios. Executiva por mais de 20 anos no Brasil e América Latina, hoje é uma Talento Sênior que leva para empresas e empresários a discussão sobre saúde mental como estratégia para conquistar resultados e melhoria de performance. Psicoterapeuta especializada em Ansiedade, Depressão, Transtornos de Humor e doenças do trabalho como Burnout.
"A solução não é fazer o brasileiro voltar a sorrir à força. É conscientizar da auto responsabilidade pelo desenvolvimento dele e da liderança."
— Eliana Sorrini
Local: Auditório do Fluzão – Barra da Tijuca
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